sexta-feira, 27 de novembro de 2015

Pesquisa na UFMT avalia a influência da família e da genética no tabagismo

O cigarro mata 50% de seus usuários e há um alto índice de novos fumantes entre os jovens universitários

THAYANA BRUNO

A pesquisa tem o objetivo de analisar a associação entre tabagismo, o nível de funcionamento geral da família de origem e a genética, é o que explica a médica pneumologista, Keyla Medeiros Maia da Silva. Keyla atua no Hospital Universitário Júlio Müller e o estudo é parte de sua tese de doutorado é desenvolvida na Universidade de São Paulo, em parceria com a UFMT e apoio da Universidade de Toronto.

O objeto da pesquisa são estudantes, técnicos e demais funcionários da UFMT. Na atual fase do trabalho se realiza a coleta dos dados. Para isso, são utilizados um questionário que pretende verificar lembranças e a influência da estrutura familiar para o fumo, a medição do nível de monóxido de carbono presente no pulmão da pessoa participante e a coleta de 10 ml de sangue para identificação da propensão genética para o fumo, os chamados marcadores de nicotina.

Sobre a medição do nível de monóxido de carbono no pulmão, a Keyla explica que o índice aceitável varia entre zero e seis. Acompanhamos o participante João Manoel de Sá, estudante do 5º semestre de Serviço Social, na realização do teste, e você confere o resultado no vídeo abaixo.


João se surpreendeu com o resultado, e acredita que a maior motivação para fumar seja a ansiedade. Seria uma compensação, um momento de alívio diante da tensão do cotidiano, como durante intervalo de aulas, do trabalho etc. Ele tem 20 anos e chega fumar até uma carteira de cigarro por dia. O estudante já parou de fumar algumas vezes, mas acabou voltando pela mesma razão. Pensa em parar de fumar como um plano para o futuro, mas crê que somente políticas públicas como campanhas educativas, de redução de danos e de acolhimento do serviço de saúde pública desses dependentes é que poderá obter resultados satisfatórios no combate ao tabagismo. “A política do governo tem sido voltada para oneração cada vez maior do cigarro, todo ano o imposto do cigarro sobe. Isso não inibe o fumo, isso só onera mais o trabalhador que fuma”. Pelo menos 14 dos 20 cigarros de uma carteira são para pagar impostos.
 
Dra. Keyla Maia e o estudante João de Sá realizam teste do monóxido de carbono.
(Foto: Thayana Bruno)
Fumar já não possui o charme que outrora emprestava credibilidade e glamour. O conhecimento das consequências à saúde para fumantes ativos e passivos chegou a criar um clima de vigilância e a suscitar a criação de leis antifumo, como o caso da lei federal número 12.546 regulamentada em 2014 (leia na íntegra aqui), que proíbe o fumo em ambientes coletivos, em que estejam duas ou mais pessoas. Proíbe também o fumo em ambiente que possua qualquer tipo de cobertura ou parede. “No entanto, é comum encontrar pessoas fumando nesses espaços, como em cantinas e saguões,” constata Keyla.

A pneumologista se diz bastante impactada com o grande número de fumantes na universidade, e o que a pesquisa tem revelado é o grande número de novos fumantes com idade entre 19 e 24 anos. “Tem muita gente fumando narguile, pensando que não é tabaco, fumando paiero com a justificativa de que é natural, mas cada paiero conta três cigarros industrializados. Ele é mais nocivo à saúde do que os cigarros industrializados”.

Estudante de Serviço Social - João Manoel de Sá
(Foto: Thayana Bruno)
Embora haja movimentos contrários, a pesquisadora observa que a veia contestadora e de autoafirmação desses jovens fazem com que fumem e não tenham a perspectiva de abandonar o vício, e declara que “uma das perguntas do questionário é se eles querem parar de fumar, e a grande maioria responde que não. Como se eles tivessem o domínio da situação. Na verdade, a dependência química é traiçoeira, e quando você percebe, está totalmente enlaçado. Parar de fumar é totalmente possível, mas dá um trabalho danado”.

A médica é incisiva ao afirmar que “o tabaco é um serial killer! Ele mata 50% dos usuários. Causa acidente vascular cerebral, infartos, mais de 20 tipos de tumores. É a única substância que é vendida hoje em prateleira, com registro na ANVISA, o órgão que regulamenta a saúde, que vai matar 50% das pessoas. Isso é uma aberração vivida no Brasil e no mundo. No máximo, isso deveria ser controlado e doado com supervisão como dependência química, e não ter a liberdade de entrar no boteco, sair com uma carteira de cigarro e ainda pagar imposto”. 

A pesquisa acompanhará 300 pares de fumantes e não-fumantes, um tabagista e seu controle, esclarece Keyla. O técnico de laboratório do HUJM, Alan Lewandovski, acompanha Keyla para a realização da coleta do sangue e se diz impressionado com o alto número de jovens fumantes com histórias familiares tristes. Ele afirma que a maioria é de jovens com idade de 18 a 24 anos. “Começamos a pesquisa prática na Universidade em julho e seguimos até o dia 4 de dezembro. Dos 300, faltam agora 36 pares.”
           
Há um serviço de tratamento para tabagistas no Júlio Müller que possui apenas dois ambulatórios, mas é aberto à população da capital. Mais informações poderão ser obtidas através do telefone (65) 3615-7238. 

Se você é fumante, quer parar de fumar e precisa de mais suporte informativo, acesse os links abaixo:

Rotina Acadêmica x Alimentação Saudável

A dieta dos estudantes na correria do dia a dia

ANA PAULA DOS SANTOS

Ao conciliar a universidade e o emprego, muitos estudantes se esquecem de fazer uma boa alimentação. Fazer no mínimo três refeições diárias é essencial para a saúde do corpo e da mente. Com a má alimentação, o rendimento acadêmico piora, pois o corpo necessita de energia. 

Rafael Cancian, 24, estudante da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT/Cuiabá), chegou a ganhar peso por não se alimentar na hora certa. O universitário conta que precisa conciliar sua carga horária de estudos com o trabalho. Como mora longe da Universidade, na maioria das vezes não tem tempo de fazer uma boa alimentação ao sair de casa. “Pra dar conta de tudo, eu acabo comendo besteira durante o dia, e quando me sinto indisposto, recorro ao famoso cafezinho”, afirma.

Opções de lanches na Cantina do Instituto de Educação da UFMT
(Foto: Ana Paula)
Carlos Eduardo Mafra, também estudante de Comunicação Social da UFMT, explica seus hábitos alimentares e os motivos pelos quais se alimenta dessa forma:


Já a estudante Thaís de Almeida Galvão, 23, que cursa Rádio e TV na UFMT, tem mais prudência quando o assunto é seu bem estar, mas admite que com a correria ainda recorre a lanches rápidos. Mesmo com a pressa do dia a dia, a universitária evita comer doces, guloseimas e refrigerantes. Ela afirma que conciliar a correria dos estudos com uma alimentação saudável é quase uma maratona. “Essa má alimentação inicialmente pode não mostrar sinais em nossa saúde hoje, mas com certeza, no futuro, podemos sofrer as consequências”, afirma a estudante.

A estudante combina as refeições com a prática de atividades físicas
(Foto: Ana Paula)
De acordo com o acadêmico de Nutrição Hugo Descher, 19, o cuidado com a alimentação, aliado ao exercício físico, é a melhor forma de prevenção de doenças. Para ele é importante comer a cada três horas e não pular as refeições. Em relação ao restaurante universitário da instituição, afirma possuir um cardápio adequado por conter todos os grupos alimentares: carboidratos, proteínas e opções de verduras e legumes. Porém, duvida que o modo de preparo das refeições seja adequado e assegura que o uso de óleo, industrializados e temperos como sal está fora dos padrões nutricionais. “Visto que a rotina acadêmica e as opções encontradas na universidade não contribuem para uma alimentação saudável, a melhor alternativas é organizar as atividades e encontrar tempo para preparar as próprias refeições”. Hugo procura sempre trazer algo saudável de casa, e quando não tem tempo para preparar seus lanches, opta por alguma fruta. 

Operação SoRia

Palhaços com a missão de levar amor ao mundo

KARINA CABRAL

Em 2009, Juninho Carvalho, um dos líderes do grupo, foi chamado para ir a uma escola em Belo Horizonte, chamada Terra dos Palhaços. Na escola, ele se encontrou dentro de seu palhaço, o Mocorongo, e, após a experiência, começou a fazer apresentações dentro de várias igrejas. Em uma dessas igrejas, uma senhora o convidou para ir até a Santa Casa com seu palhaço para entregar presentes de Natal. Nessa época, a Ideia do Palhaço dentro do hospital ainda não era popular, mas ele percebeu que a aceitação das crianças era muito boa. Então, em 2010, chamou alguns amigos, deu um curso de palhaços e começaram a ir para os hospitais, surgindo assim o Operação SoRia, com a intenção de levar o amor cristão ao mundo.

Grupo Operação SoRia
(Foto: Arquivo do Facebook)
Para entrar no grupo, em primeiro lugar precisa ter vontade de fazer o bem ao próximo. Depois, é necessário fazer um curso preparatório com a duração de três meses, sendo as aulas todos os sábados. O curso é aberto uma vez ao ano para os interessados, mas somente os líderes, Juninho Carvalho e Thainá Telles, ficam responsáveis pelas aulas. O restante do grupo permanece fazendo as visitas nos hospital. 
Estrela (Thainá Telles) e Mocorongo (Juninho Carvalho)
(Foto: Aquivo do Facebook)
Dentre as matérias do curso está a história do palhaço, a composição de figurino, maquiagem específica e o que fazer no hospital, para não correr risco de cometer algum erro com os pacientes. “A arte é talento, mas também é técnica. Você tem que saber lidar com o hospital, que é um ambiente de dor. Você tem que aprender a transformar essa dor em alegria”, afirma Elisa Calvete, uma das palhaças do grupo.


Elisa conheceu o grupo bem no começo através do líder Juninho, que participava da mesma igreja que ela. O grupo tem fundamentos cristãos, e em dos cursos de palhaço feitos na igreja ela resolveu participar. “Ser palhaço não é ser ator como muita gente pensa. Ser palhaço é ser você mesmo, usando suas qualidades e defeitos. O palhaço é um dos personagens mais humanos que existem”, diz Elisa. Com o tempo, o grupo entrou para as redes sociais e se tornou mais conhecido: hoje conta com 25 palhaços já formados, e dia 28 de novembro terão uma formatura para novos integrantes.

Nos dias de visitas, que são todos os sábados, eles se reúnem e decidem o que será feito. Chegam a ir até a três hospitais, caso tenham muitos palhaços no dia. Vários cuidados precisam ser tomados: os jalecos, por exemplo, são esterilizados e só são vestidos ao entrar no hospital; as mãos são lavadas antes de entrar em cada quarto e sempre tomam o cuidado de pedir permissão para entrar, pois a decisão é sempre do paciente. Desde a entrada do hospital, brincam com todas as pessoas ao redor, sem jamais sair do personagem, afinal, quando se coloca, o nariz cada voluntário se transforma em seu palhaço.

Pisquila (Ana Maria Addor) e Biju (Elisa Calvete)
(Foto: Arquivo do Facebook)

A Biju, personagem de Elisa, foi criada exaltando os gostos de sua criadora. Seu nome é Frances porque Elisa é apaixonada pela arte francesa. Seus trejeitos, o jeito de mexer a mãozinha, o figurino, a maquiagem e até seu nariz diferenciado remetem à sua criadora, seus defeitos e qualidades. “Você tem que pensar em você para pensar em seu palhaço. A Biju sou eu, mas sou eu sem nenhuma marra, sem nenhuma máscara. Fazer a Biju foi um processo de me conhecer, e cada vez que me conheço mais, ela melhora”, diz a voluntária.

Biju (Elisa Calvete) - Arquivo do Facebook
Apesar de trabalharem o ano inteiro aqui no Brasil, os líderes do grupo tiveram a ideia de fazer um mochilão para levar o projeto para outros lugares do mundo. Eles observaram que esse conceito de palhaços dentro do hospital só existia aqui no Brasil e nos EUA. No restante do mundo, a Palhaçaria, em geral, não era tão grande. Então, em janeiro de 2015, os palhaços saíram em viagem e foram para a Argentina, Paraguai e Uruguai, levando o amor cristão e o calor dos abraços brasileiros.


No dia 4 de janeiro, o grupo se prepara para uma nova aventura, e a palhaça Biju resolveu mandar uma mensagem:


Para saber mais sobre o projeto, acesse a página do grupo no Facebook e também o canal no Youtube.
               
               
               
                 


Feministas de Cuiabá organizam ato contra a PL 5069

BRUNA ULIANA

Neste sábado, 28, será realizado um ato de manifestação contra a PL 5069, projeto de lei de autoria do presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB/RJ), que dificulta o aborto legal em caso de estupro e o atendimento a vítimas de violência sexual.
Arte de Andréia Ribeiro sobre os efeitos da PL 5069

“A ideia partiu de um grupo de amigas, e surgiu a vontade de fazer um ato em Cuiabá. Por conta disso, a gente convidou os coletivos daqui, então vários deles compareceram na nossa primeira reunião. Veio o coletivo das Mulheres do Hip Hop, do Resiste MT, do Empodera, e todas essas meninas já estavam fazendo atos separados. Aí surgiu a necessidade de fazer algo conjunto, que seria contra o PL 5069, e a gente criou um coletivo, o Luta Pela Vida das Mulheres”, explica Sara Castillo, 26, uma das organizadoras do evento.

A movimentação para conscientizar as pessoas sobre a PL 5069 já começou. Ao longo do último mês, foram organizados eventos de panfletagem e colagem pelo centro da cidade, oficina de cartazes, grafitaço e rodas de discussão. “Ninguém acreditaria que em 2015 nós teríamos que lutar para não perder direitos que já foram conquistados. Acho que talvez por isso as pessoas não enxerguem a importância de ir pra rua para lutar por esses direitos”, diz Sara.

No vídeo abaixo, ela fala sobre a PL 5069:


“É um ato de mulheres, pela luta das mulheres. A gente também pretende dar visibilidade à produção artística feminina, então teremos artistas do grafite, do rap, meninas fazendo leituras”, complementa a jornalista Priscila Mendes, também organizadora do evento.
Aline Coelho da Costa
participará do evento.
 (Foto: Bruna Uliana)


A estudante Aline Coelho da Costa, 27, é uma das 240 pessoas que confirmaram presença na página de divulgação do ato. “Infelizmente, nós estamos em 2015, mas não existe equidade entre os gêneros. A gente precisa pensar em como a nossa sociedade está hoje e como podemos melhorar. Então é por isso que eu vou acordar às oito da manhã num sábado e vou lá pensar nisso com as garotas que estão propondo esse debate. É muito importante que aconteçam diversos movimentos nas redes sociais, mas tem que sair da internet e ir pra rua também. Essas pessoas que vão pra rua querem mudança, e isso é o primeiro passo”, reflete.


No dia do ato, a programação conta com a concentração às 9h na Praça Ipiranga, no centro da cidade. De lá, o grupo pretende sair em direção à Delegacia da Mulher, nas imediações da Praça Maria Taquara, e seguir para a Praça Alencastro. “A ideia não é simplesmente fazer passeata, mas de ocupação em espaços públicos e, principalmente, chegar com o nosso projeto na Delegacia, porque é um ato contra a violência”, conta Sara. 

Para saber mais sobre o Ato Pela Vida das Mulheres Contra a PL 5069, acesse a página do evento aqui.

sexta-feira, 20 de novembro de 2015

Um 'viva' ao feriado da Consciência Negra

LUIZA GONÇALVES
[Foto: escolanarcisomacedo.blogspot.com]
Sabemos que viemos de uma sociedade escravagista, e, por isso, carregamos resquícios da escravidão. Mas ainda em nossos tempos atuais podemos presenciar muito preconceito. A luta ainda não acabou, precisamos ainda correr atrás dos nossos direitos. Já que a própria Constituição nos assegura isso. Como tantas outras datas que fazem parte do nosso calendário, a Consciência Negra não poderia passar despercebida, até porque fazemos parte de uma nação diversificada.

De acordo com a estudante Joycy Ambrósio, do 5º semestre  de Jornalismo, "o dia é necessário porque, no mundo inteiro, existe uma raça dominante, que é o povo branco. Ainda hoje alguns tratam o povo negro como se fossem animais, então eu acho necessário o Dia da Consciência Negra para que haja uma conscientização".

Graças ao professor e pesquisador Oliveira Silveira, foi possível comemorar o Dia Nacional da Consciência Negra. O mesmo escolheu o 20 de novembro, por ter sido o dia da morte de Zumbi dos Palmares, que ocorreu em 1695. Em memoria a Zumbi dos Palmares, ícone da resistência negra ante a escravidão, a data foi escolhida.

[Foto: http://www.blogdilmabr.com/no-dia-da-consciencia-negra-brasil-tem-muito-a-comemorar/]
Em 2003, a Lei Federal nº 10.639, incorporou o Dia Nacional da Consciência Negra no calendário Escolar, exigindo o ensino sobre história e cultura afro-brasileira nas escolas de ensino fundamental e médio, públicas e particulares. Dessa forma, os professores devem incluir em seus programas aulas sobre: História da África e dos Africanos, luta dos negros no Brasil, cultura negra brasileira e o negro na formação da sociedade nacional. O site do ministério da educação (MEC) disponibiliza publicações sobre o tema.

O dia nacional da consciência negra ainda não é feriado nacional. Mas existe um projeto de lei tramitando no Congresso que busca instituir isso. O mesmo foi aprovado em outubro deste ano, e agora só está à espera da sanção da presidente.

Segundo o estudante Victor Vinicius, do 2º semestre do curso de letras da UFMT, " é uma data muito importante porque um povo não deve esquecer sua história. Não se trata de negros que foram escravizados, mas de seres humanos. Isto não deve ser esquecido na historia.

Sentir-se e aceitar o ponto de vista do negro e valorizar sua contribuição em todos os aspectos culturais não só diz respeito aos afros-descendentes. Porém, todos nós somos frutos de uma sociedade multicultural: a sociedade brasileira.

Lei de garantia a liberdade religiosa não é suficiente no Brasil

NAIARA LEONOR

[Foto: Naiara Leonor]

O Brasil é um país com população majoritariamente católica, mas são inúmeras as religiões praticadas. Dentre elas, pelo menos 15 são de origem africana, com as mais conhecidas sendo o Candomblé e a Umbanda. Desde que foram trazidas para o Brasil pelos negros escravizados, as religiões de origem africana sofrem com o estigma de culto ao demônio. A falta de conhecimento sobre os rituais e as crenças das religiões afro-brasileiras dão origem ao preconceito e aumentam a intolerância religiosa no país.

Joice Moraes, estudante de Publicidade e Propaganda da UFMT, diz não conhecer muito sobre essas religiões, mas sabe alguns nomes. “Sei que existe Candomblé, que é baseada na crença dos orixás e que alguns deles são representados por santos católicos também”. Sendo agnóstica [aquele que acredita em algo sobrenatural, mas não tem religião], ela diz que não tem preconceito e que respeita as religiões africanas, como qualquer outra.

Mas atitudes de respeito como a de Joice não são unânimes no Brasil, que, apesar de um país de múltiplas religiões, tem inúmeros casos de intolerância religiosa.

Segundo informações divulgadas em relatório preliminar da Comissão de Combate a Intolerância Religiosa (CCIR), de janeiro de 2011 a junho de 2015, o Disque 100 da Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República recebeu 462 denúncias sobre discriminação religiosa.

O número de registros ainda é pouco representativo, pois as vítimas do preconceito contra a própria religião não chegam a fazer a denúncia por medo de retaliação. O estudante de Jornalismo, Demetrinho Arruda, que é católico, confessa que já teve preconceito com religiões como Candomblé e Umbanda, mas que hoje pratica a tolerância religiosa. “Antes eu não tinha conhecimento, então tinha aquele típico pensamento preconceituoso. Mas hoje tenho mais informação sobre o assunto, respeito todas as religiões e sei que é uma questão cultural também”.

[Foto: Reprodução / Ilustração]

O direito de livre crença e a liberdade religiosa é assegurado no Brasil pelo artigo 5º, inciso VI, da Constituição Federal. Além disso, há também dois artigos da Lei nº 12.288/2010 (Estatuto daIgualdade Racial), que defendem especificamente a liberdade de crença em religiões com matriz africana.

A radialista Karina Figueredo, umbandista há mais de quatro anos, relata que nunca sofreu o preconceito diretamente, mas que sabe que ele existe. “Descobri a religião através de uma amiga. Depois de ir a primeira vez ao centro, comecei a frequentar e cheguei a realizar trabalhos por quatro anos. Hoje não sou mais tão assídua, mas tenho minha fé e pratico os rituais. Nunca sofri com o preconceito diretamente, mas já fui aconselhada a não expor minha religião onde trabalho, por exemplo”.

Karina também acredita que a falta de conhecimento é a maior causa do preconceito e intolerância religiosa. “No caso da Umbanda, por exemplo, as pessoas confundem com a Quimbanda, que se utiliza de magia negra. Umbanda não tem nada disso. O real significado da palavra é na verdade ‘fé, esperança e caridade’. Até o significado de macumba foi deturpado”. Ela explica que macumba, na verdade, é o nome do tambor tocado nos centros de Umbanda.

Como forma de promover a paz, o respeito e o combate ao preconceito contra as religiões, instituiu-se a Lei nº11.635/07, que define o dia 21 de janeiro como o "Dia Nacional de Combate à Intolerância Religiosa".

Um intercâmbio de amor, cultura e alegria: África-Brasil

Dica: Leia ouvindo Axé Odô ou Canto para Oxum ou ainda A deusa dos Orixás. Boa leitura :)

JHENIFER HEINRICH

A existência da escravidão no Brasil durante quase 400 anos, além de ter constituído a base da economia material da sociedade brasileira, influenciou também a formação cultural. E quando se fala de cultura, não tem como não pensar em música. E ela vem como a expressão de liberdade que a cultura negra possui, e isso foi impresso na cultura brasileira que persiste, entre “trancos e barrancos” até hoje no Brasil.

Rita Domingues é
professora de Música e
doutoranda no Ecco.
[Foto: Jhenifer Heinrich]
Para a professora de música Rita Domingues, a influência da música negra no brasil é muito rítmica e permeia a música popular brasileira em 90%. Além disso, influenciou também a nossa música erudita. Novidade? A primeira música com a presença nítida da cultura africana é a música “Batuque”. A professora cita ainda o Movimento do Nacionalismo, na Semana de Arte Moderna, a cena erudita brasileira em que os artistas procuravam usar questões que sinalizassem o Brasil. É aí que a música africana entrava, além de ser precursora do samba, claro.

Augusto Krebs é músico e
compositor.
[Foto: Arquivo pessoal]


Para o músico e compositor, ex-aluno de Música da UFMT, Augusto Krebs, “nossa música se distingue da música de outros povos pela mistura que acontece aqui. E é lógico que a música africana, que veio aportar através das práticas religiosas nos terreiros embalados por rituais cheios de dança e música vigorosa, é perceptível em praticamente tudo que é música feita por aqui. O mesmo ocorreu com a música europeia, chegou aqui através da religião, mas é interessante que a música trazida pelo povo africano carrega uma força sem igual, talvez por tentar traduzir sonoramente a força das divindades do panteão africano. O Brasil é negro, a África está entranhada nas células rítmicas, nos motivos melódicos da nossa música”. 

O africano faz festa. Esta é sua característica: sua alegria. Em relatos históricos e lembranças dessas pessoas vindas da África, é clara essa “cultura da festa”. Cortejos de Reis são festa na África, a passagem para a puberdade é festa, o trabalho é festa, no final do dia tem festa. E o brasileiro herdou isso, não é à toa que somos vistos como um dos povos mais “quentes”, alegres e receptivos o mundo. Em Cuiabá mesmo, se caminharmos no centro da cidade percebemos a presença de algumas dezenas de senegaleses que trabalham como ambulantes ouvindo música africana, muito parecida com o axé da Bahia. Na África, os cortejos de “reis do Congo”, na forma de congadas, congados ou cucumbis, influenciaram a espetaculosidade das procissões católicas do Brasil colonial e imperial, constituíram, certamente, a velocidade inicial dos maracatus, dos ranchos de reis (depois carnavalescos) e das escolas de samba – que nasceram para legitimar o gênero que lhes forneceu a essência do Brasil.  
Segundo Nei Lopes, escritor, compositor e pesquisador de música popular brasileira, as matrizes africanas que contribuíram para moldar a cultura e a música brasileira passam das congadas ao samba, pelos afoxés e blocos afro, onde a presença de elementos musicais e religiosos provenientes da África é marcante na nossa história, como ainda hoje se evidencia nas escolas de samba e nos sambas-enredo. Mas atualmente se constata também uma progressiva desafricanização da música popular brasileira, o que aponta para o fenômeno da globalização do gosto. Mas, da mesma forma que essa “desafricanização” ocorre, vários grupos formados por africanos e não africanos se unem para não deixar morrer, literalmente, a cultura africana no Brasil, tão importante para definir o que é o Brasil hoje. Irônico, né? Fazer parte da origem da cultura brasileira e estar “sumindo”...
O Coletivo Negro Universitário UFMT é um desses grupos. Idealizado na Universidade Federal de Mato Grosso, campus Cuiabá, o grupo se reúne frequentemente e faz ações de resgate à cultura afro. Haitianos, africanos, brasileiros, todos fazem parte do conjunto que leva dança, música, história e poesia para quem quiser ver e sentir essa arte e esse amor. Segundo Zizele Ferreira, coordenadora do Coletivo, o propósito do grupo é tratar de "Consciência" enquanto aspecto político. “A Consciência negra é fruto gerado por ações antirracistas e a partir de relações sociais estabelecidas por processos históricos diferentes e coletivos. Além de estudantes africanos de diversos países, temos hoje haitianos residentes em Cuiabá celebrando a independência de seu país e outras frentes negras da nossa universidade.”

Ao ouvir “Quilombo Axé” da banda Afoxé Oyá Olaxé, é nítida a presença do nosso samba. Tão africano e tão brasileiro. O agogô, de origem africana, é um dos instrumentos característicos do samba brasileiro. Veja vídeo. Representando a dança, luta e música africana temos a capoeira. Veja o vídeo de um grupo de capoeira de Cuiabá-MT.

Dá pra comparar?
Se formos falar de música atual africana e música atual brasileira e traçarmos um paralelo, olha só o que a gente encontra:

Música brasileira de 2006: https://www.youtube.com/watch?v=6QKk5gU-CDI
Música brasileira de 2000: https://www.youtube.com/watch?v=K0XfjhNXM_c
Música brasileira de 2011: https://www.youtube.com/watch?v=-zphtZzsSl4

Música brasileira de 1996: https://www.youtube.com/watch?v=n8QJrkIghaY

Tanto o som quanto a dança, são muito parecidos! Isso é apenas um resquício da influência do intercâmbio África-Brasil. “Se tentou, através dos tempos, forçar uma colonização do pensamento. Na música, até hoje, se tenta isso de forma muito frequente. Só que hoje temos um eufemismo para isto: denominamos a questão como sendo mercadológica, midiática e outros nomes e termos acadêmicos bem bonitos, mas isso não muda o fato de que existe uma tentativa de se adestrar, docilizar o pensamento para obedecer a determinadas formas e concepções de realidade, de mundo. O mesmo não ocorreu com a música brasileira. Ela agrega tudo e o todo que for possível. A música brasileira abraça as causas, mas tem o vocabulário africano como elemento primário, a mãe África que abraça seus filhos desde o princípio dos tempos”, conclui Gustavo Krebs.

Yorubá: entre o Sacro e a completa marginalização

ARILDO LEAL
O idioma é uma síntese histórica de uma cultura. Uma filosofia em si. Herdeira de outras, continuadora dessas. É impensável ter pleno conhecimento de si próprio sem olhar (e refletir) sobre os antepassados, sobre o acúmulo de vivência e maneiras passados a cada geração. Na véspera do Dia da Consciência Negra, como os brasileiros recebem as línguas e literatura africana?

“Não sei nada sobre línguas africanas. Porém, da minha família, a minha avó chegou a conhecer porque ela frequentava umbanda. A gente percebe que há um certo estigma pela cultura africana”, relata Felipe Camargo, estudante de Letras da UFMT. Ele, assim como muitos, apesar de não ter contato, reconhece que sente falta de oferta. O que não falta é demanda.

Yorubá, yorùba, Iorubá ou mesmo Ioruba. Quatro nomenclaturas para a Língua do último grande império africano, o Oyo (1400-1895). Língua do segundo maior grupo étnico da Nigéria (30 milhões ou 20%), que, por sua vez - segundo a ONU -, o país terá a terceira maior população do mundo em 2050 [1]. E, finalmente, língua originária – portanto, litúrgica e sagrada – do candomblé.


O idioma ganha cada vez mais publicações no Brasil, sejam dicionários, sejam métodos ou mesmo livros sobre sua história [imagens]. A Universidade Estadual do Piauí chegou na segunda metade do ano (2015) a ofertar um curso de Yorubá no Memorial Zumbi dos Palmares. “A implantação desse curso é uma demanda que o movimento negro piauiense tem há muito tempo e, agora, através dessa parceria entre as instituições, foi possível fazer essa oferta”, afirmou - na ocasião - Raimundo Dutra, coordenador geral do Plano Nacional de Formação de Professores (PARFOR) (Fonte: http://www.uespi.br/site/?p=75953).


Literatura
Segundo o Departamento de Letras da UFMT, nos últimos cinco anos vários eventos de literatura africana, de origem africana ou de descendentes (modernos) africanos foram oferecidos pela pós-graduação em Linguagem. A professora Divanize Carbonieri (Letras/Inglês), por exemplo, tem dado um importante espaço à literatura de origem africana em suas aulas, inclusive na graduação. Iniciativas como esta têm se difundido pelos demais cursos do departamento, bem como globalmente pelas pesquisas Brasil afora.

Confira a seguir os principais e importantes canais para o aprendizado do Yorubá:
UESPI (notícia da aula inalgural de Yorubá)
http://www.uespi.br/site/?p=77739
Referências:
[1] http://www.ebc.com.br/noticias/2015/07/mundo-tera-97-bilhoes-de-habitantes-em-2050

Cotas nas universidades: Os dois lados da moeda

FERNANDO PRADO

A realidade do Brasil Colônia
O que define uma raça? Ser branco, pardo, negro ou indígena? Quem nunca se deparou com esse questionamento em diversas ocasiões da vida?
As diferenças raciais sempre interferiram na história do Brasil. Desde que o Brasil era colônia, os negros já sofriam com a desigualdade racial, social e o racismo. Eles chegaram aqui em situação precária, por meio de navios negreiros encomendados pelos portugueses, como uma forma de mercadoria, que desencadeou em uma grande porcentagem de mortes. Muitos escravos ficavam amontoados em grandes calabouços e onde dormiam, faziam também suas necessidades. Não importava faixa etária. Todos ficavam em situações insalubres.
Os negros sobreviveram à escravidão, a diversas batalhas e obtiveram também inúmeras conquistas, como a Lei Áurea, que aboliu a escravatura no Brasil, assinada por Isabel, princesa imperial do Brasil, e pelo ministro da Agricultura da época, conselheiro Rodrigo Augusto da Silva.

As cotas nas federais
Os inúmeros investimentos na educação não preenchem a demanda por um ensino de qualidade no Brasil. A educação continua precária. A falta de incentivos é crescente. Isso faz com que alguns estudantes não consigam uma vaga nas universidades federais. Com isso, surge a política de cotas nas universidades, que, por sua vez, classifica os ingressantes por suas características étnicas.
A presidente Dilma Rousseff sancionou a Lei das Cotas, que proporcionou uma cota de 50% das vagas em instituições e universidades federais destinadas a estudantes egressos de escolas públicas e com renda familiar igual ou inferior a um salário-mínimo e meio per capita. Constam também os critérios raciais para a cota (negros, pardos e indígenas).
De cara, o intuito era aumentar a demanda de alunos afro-brasileiros que saíssem do ensino médio, ao invés de investir na educação básica. “Precisamos de um sistema educacional de qualidade desde a base, e não de cotas como se os negros ou estudantes de escola pública fossem menos capazes, ou seja, burros.”, afirma a professora de educação básica, Edelaine Fernandes.
[Foto: Facebook]
Todavia, há críticas severas quanto à política de cotas. “Sou a favor da inclusão de portadores de necessidades especiais. Quanto à política de cotas, não compactuo. Uma vez que isso não influi na capacidade das pessoas. Tanto o negro, pardo e indígenas são pessoas aptas para disputar por igual. Creio que essa política só serve para aumentar ainda mais essa sensação que a discriminação deixa. Porque dá o direito de alguém dizer que a pessoa só conseguiu devido à política de cotas. O Brasil precisa mesmo deixar as diferenças de lado e se importar com outras esferas da sociedade.”, relata a jornalista Karen Silva.
Para algumas pessoas as cotas são discriminatórias e causam conflitos raciais. “Se a classe negra e indígena luta pela igualdade, que ela seja em todos os aspectos. O direito de uma vaga nas universidades federais tem que ser igual para todos”, defende uma estudante do ensino médio. “Não, se exigem direitos iguais? Devemos ser iguais em tudo. Não acho que um negro é menos inteligente que um pardo ou branco”, conclui o estudante do ensino médio, Leonan Carvalho Paniago.
No entanto, há quem veja a Lei das Cotas como algo benéfico e construtivo para o futuro da educação no Brasil. É uma oportunidade para as pessoas de baixa renda que não têm condições sequer de pagar uma faculdade. “Sou a favor da política de cotas não só nas universidades federais, mas em todos os segmentos públicos de acesso através de concorrência, pois as cotas representam uma medida compensatória pelos danos sofridos em anos de servidão, retrocesso e atraso educacional e social dos negros. Não me venham dizer que as oportunidades são iguais para todos. Pode até ser, mas as condições de preparação não são. Isso se chama "iniciação tardia", eu sou a prova disso: comecei ter acesso à educação de qualidade aos 18 anos de idade e só cheguei aonde cheguei (que não é muito) com esforço e muito constrangimento por não ter tido a preparação de diversos colegas. Resumindo, tive oportunidade e aproveitei, porém, demorarei muito para chegar ao nível de preparação de quem teve oportunidade desde o berço”, relata o estudante de Comunicação Social da UFMT, Keko Ekesio.

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A maioria dos estudantes cotistas lida com despesas de livros, transporte, alimentação e moradia. Precisam de um acompanhamento da própria instituição que garanta assistência estudantil e de ações afirmativas.

A entrevista do momento
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Rosa Lúcia Rocha Ribeiro é coordenadora de assistência social da Pró-Reitoria de Assistência Estudantil (PRAE) da Universidade Federal de Mato Grosso, campus Cuiabá. Também trabalha na tutoria na empresa PET Conexões de Saberes da UFMT.


Blog: O que é a PRAE?
Rosa Lúcia: A PRAE é a Pró-Reitoria de Assistência Estudantil da UFMT, e foi instituída no final de 2012. Organiza-se em três coordenações: a de assistência social, a de políticas acadêmicas e suas afirmativas e a de articulação intercampos e moradias, além de um conselho. A nossa pró-reitora é a Miriam Serra.
Blog: Qual é o objetivo da PRAE?
Rosa Lúcia: A PRAE tem como objetivo a promoção da permanência, o apoio financeiro aos estudantes de baixa renda e o sucesso acadêmico dos mesmos. Hoje, contamos com vários auxílios que esses estudantes podem acessar por meio de editais. A PRAE tem o auxílio permanência, auxílio moradia, auxilio alimentação e também a Casa do Estudante Universitário.
Blog: Como funciona a modalidade de bolsa apoio à inclusão?
Rosa Lúcia: Essa modalidade faz parte da gestão da coordenação de ações afirmativas. Visa remunerar o estudante que pode apoiar um outro estudante ou um grupo de estudantes. Por exemplo, quando teve a implementação do programa de inclusão indígena, alguns estudantes tiveram muita dificuldade, dependendo da etnia, com a língua, com a cultura universitária. A bolsa de apoio à inclusão tem o papel de fazer a integração desses estudantes na vivência universitária e também acolher nas disciplinas e em questões especificas do curso.
Blog: Que outras funções desempenha a PRAE?
Rosa Lúcia: A PRAE executa o auxílio evento, que é voltado para estimular os estudantes nas apresentações de trabalhos científicos. É um trabalho periódico: sai o edital e os alunos podem acessar.
Blog: Como é feito o atendimento psicopedagógico?
Rosa Lúcia: O atendimento é realizado de forma especial para os estudantes que são assistidos pela PRAE, realizado pela coordenação de políticas acadêmicas e ações afirmativas. São identificadas as dificuldades dos estudantes, durante a renovação dos auxílios e benefícios. O estudante precisa fazer jus aos auxílios, comprovando um bom desempenho acadêmico, não podendo ser reprovado por média ou por falta e não pode ter um aproveitamento acadêmico menor do que 70%.

A cultura negra e muito do que somos

ISABELA MEYER
No início da colonização brasileira, os negros foram aprisionados e trazidos ao Brasil, principalmente pelos portugueses, como mão de obra escrava. Além do trabalho, eles contribuíram com alguns aspectos enraizados hoje na nossa cultura, como música e dança, no que condiz ao maracatu e ao samba; na culinária, da feijoada de domingo em muitas casas brasileiras; e na religião, como o candomblé e umbanda, que sofrem muita discriminação.


No vídeo abaixo, o estudante de Jornalismo, Leandro Nogueira da Silva, 32, comenta um pouco sobre o Vale do Amanhecer e outras religiões de matriz africana e a relação da sociedade brasileira com elas.



Participante do Vale do Amanhecer desde o final de 2013, ele afirma que “encontrou tudo o que buscava”, mas muito ainda precisa ser feito para que a população quebre a barreira do preconceito. 

“Sou cristã, mas isso não me dá o direito de sair por aí cometendo agressões contra meus irmãos e justificando justiça da palavra de Deus", afirma a jornalista Luciana Souza. “Se faço isso, já estou descumprindo os mandamentos que sigo”, conclui.
  
A jornalista Luciana Souza, que afirma ser contra o preconceito sofrido por outras religiões
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A universidade tem desenvolvido um papel fundamental junto a essas questões, com ações que integram grande parte dos elementos da cultura afro-brasileira com danças, culinária e muita arte.

No dia 19 de novembro, véspera de feriado do Dia da Consciência Negra, aconteceu o Armazém da Consciencia Negra, no bosque do Teatro Universitário da UFMT. No dia 20, feriado, a partir das 16 horas, ocorre o 20 de novembro na UFMT: Resistir, existir e ocupar, evento organizado pelo Coletivo Negro da Universidade com o intuito de celebrar a contribuição da cultura negra para a nossa sociedade, que, entretanto, não a valoriza como deveria. 

Para a pedagoga Janaína Tomé, eventos como esse dentro da universidade “são de suma importância para que nos lembremos de onde viemos, nossa história, nossa raiz. Que fazemos parte dessa cultura, que somos brancos, índios e, sim, somos negros. Isso é ser brasileiro”. 

A pedagoga Janaína Tomé acredita que devemos orientar e mostrar a importância da valorização da cultura negra, expondo sua história e riquezas
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