quinta-feira, 19 de fevereiro de 2015

Trotes Universitários: brincadeira ou violência velada?

HELEN RAQUEL

                                                                 Trote do curso de Comunicação na UFMT - 2014/1                                                           [Foto: Helen Raquel]

Os alunos estudam, em média, 12 anos para alcançar o objetivo de entrar em uma universidade. Os três últimos anos são os mais difíceis e decisivos, pois nesse período eles precisam decidir o curso que pretendem fazer, se preparar para o Exame Nacional do Ensino Médio [ENEM], formatura, se despedir dos colegas, para só então entrarem em uma universidade.

Após todo este processo delicado são recebidos com os famosos trotes. Na Universidade Federal de Mato Grosso [UFMT] o “trote” violento não é permitido dentro do campus. O que acontece é uma recepção com algumas ações praticadas no trote, como pintura no corpo, algumas brincadeiras, e canções específicas de cada curso são cantadas pelos novos alunos, enquanto os veteranos fiscalizam, e a UFMT promove palestras. Esta é a versão oficial. Porém não é tudo tão simples como parece. 

Alguns alunos se sentem constrangido com esse tipo de brincadeiras, com os gritos e xingamentos que são feitos, e a pior parte acontece fora da universidade. Os calouros vão para a avenida, pintados, pedir dinheiro aos motoristas para os veteranos consumirem bebidas alcoólicas. O trote não é obrigatório, mas ao ouvirem ameaças, como “não vamos falar com você”, “não vamos te ajudar”, “vamos te excluir das festinhas”, sentem-se intimados a participar, e alguns participam por não verem problemas no trote.

                                                               Trote do curso de Comunicação - UFMT 2014/1.                                                               [Foto: Helen Raquel]


Segundo Allan Ferreira [nome fictício], que passou para o curso de engenharia florestal da UFMT, campus Cuiabá em 2012, na sua época de calouro “foram vários trotes. O último foi o mais abusivo. Tivemos que andar de "elefantinho" até uma praça do Boa Esperança ouvindo diversas humilhações. Nessa praça, havia diversos veteranos que começaram a jogar ovos na gente. Depois, passamos jenipapo uns nos outros... Faz parte desse rito de passagem. Mas o pior foi uma mistura com comida podre, peixe podre, vísceras, um monte de coisa estragada! Nos falaram que também tinha vômitos e urina naquilo. Era extremamente podre. Alguns colegas passaram mal”. Toda esta mistura foi jogada nos os calouros. Allan relatou que não era obrigatório participar do trote, mas a pressão psicológica era muito grande. Ele lembra que em um dos outros trotes, foram todos levados para uma das salas do seu bloco. "Tinha uma mesa no centro da sala e muita gente. Cada calouro ficou em pé na mesa. O resto dos veteranos ficava batendo nos armários gritando 'bebe!' 'bebe!' um copo de pinga". E novamente mais estudantes passaram mal.

A aluna Angela Flavia Oliveira cursa agronomia no Instituto Federal de Mato Grosso [IFMT], campus São Vicente. Ela não teve problemas com o trote. Fizeram festa de boas-vindas. "O trote foi saudável. Acho que beber leite azedo e comer ovo cru faz bem pra saúde. E passar halls de boca em boca, também [risos]. Não teve nenhum tipo de bebedeira obrigatório. Nem nos jogaram óleo queimado. Então, acho que têm trotes muito piores por ai". Ela comentou que ninguém se recusou participar ou se sentiu ofendido.

O trote é considerado tradição universitária. Entretanto, às vezes, mascaram agressões verbais, físicas, humilhações e bullying. No mês passado, um caso em específico chamou a atenção: uma adolescente de 17 anos sofreu queimaduras de terceiro grau nas pernas. A aluna cursa pedagogia em São Paulo. Um outro aluno da mesma instituição foi atingido no olho pelo mesmo líquido e corre o risco de perder a visão. Trotes violentos acontecem há muitos anos. Mesmo as universidades proibindo, eles continuam a acontecer, dentro e fora de seus espaços.

video

sábado, 14 de fevereiro de 2015

Redes Sociais x Ambientes de Trabalho e Estudo

HELEN RAQUEL


[Foto: Google]

O uso das redes sociais se torna cada dia mais comum, através de celulares, computadores ou outros aparelhos eletrônicos. Com tanta facilidade de acesso, sua utilização é feita em casa, no trabalho, na escola, na faculdade, andando pela rua, no ônibus. Porém isso nem sempre é visto como algo positivo.

Algumas escolas proíbem o uso de celulares nas salas de aula para evitar distração dos alunos e bloqueiam os sites das redes sociais nos computadores dos laboratórios de informática. Nas empresas, geralmente seu uso é autorizado apenas em horários de intervalo, como é o caso da empresa em que Maria dos Santos Silva trabalha como auxiliar de produção. “O serviço exige atenção, e ficar mexendo no Whatsapp atrapalha. O encarregado já está estudando punições a quem insistir em mexer”.

A estudante de Jornalismo, Letícia Damaceno, durante aula na UFMT
[Foto: Helen Raquel]

As redes sociais mais populares no Brasil são Facebook, Instagram, Whatsapp e Twitter. Enquanto em alguns lugares seu uso é proibido, dentro das salas de aulas de determinados cursos da UFMT, como no de Comunicação Social, elas são acessíveis. Segundo Letícia Damaceno, estudante do curso e estagiária da TV Centro América, “o uso das redes sociais é essencial porque hoje as notícias chegam de toda parte, inclusive pela internet, e as redes são um veículo muito mais rápido que a televisão. Além disso, por se tratar de um curso de Comunicação, as redes sociais permitem um amplo conhecimento de pessoas e notícias. É claro que têm pontos negativos, como a falta de foco. Mas, no resto, auxilia muito”. 

Sobre o acesso dessas redes no ambiente de estágio, Letícia afirma que “é permitido. Às vezes, as fontes que utilizamos para saber mais informações ou outros contatos vêm através do Facebook, e as redes sociais aceleram esse tipo de contato com o outro”.

A internet, de um modo geral, e as redes sociais mais especificamente agilizam o acesso às informações, permitindo que a rede seja uma grande aliada para os estudantes e profissionais da comunicação. Mas quando usada apenas para o lazer, seja em ambiente de trabalho ou estudo, torna-se fútil, sendo melhor aguardar a hora certa para matar a curiosidade.

O problema não é a tarifa, é a falta de qualidade do transporte público

HELEN RAQUEL

Ponto de ônibus da Fernando Correa, próximo a UFMT
[Foto: Helen Raquel]

Nos pontos de ônibus de Cuiabá, é possível ouvir inúmeras reclamações sobre o transporte público. Falta ônibus nos horários de pico, não tem ar condicionado, os veículos estão velhos e vivem quebrando, têm regiões em que há apenas uma placa informando ser ponto de ônibus, sem nenhuma estrutura para proteger os usuários do sol, são algumas queixas.

Lucas Vinícius Rodrigues de Oliveira, auxiliar de operações comerciais e estudante de Ciências Contábeis da UFMT, utiliza esse tipo de transporte todos os dias, concorda com as reclamações dos outros passageiros e ainda acrescenta: “A forma de cobrança da passagem é inadequada”. Sobre o aumento da tarifa, afirma que não reclamaria do valor, se melhorassem a qualidade. 

Ponto de ônibus da principal avenida do bairro São Francisco, em Cuiabá
[Foto: Helen Raquel]

No dia 26 de janeiro deste ano, o valor da tarifa do transporte passou de R$ 2,80 para R$ 3,10, a terceira mais cara entre as capitais do país, só perdendo para Rio de Janeiro e São Paulo. Isso gerou a revolta de alguns usuários. Nos dois dias seguintes ao aumento [27 e 28], dois ônibus foram encontrados queimados no bairro Voluntários da Pátria. Eles faziam a linha 720, Pedra 90. Ainda no dia 28, às 17h, houve uma manifestação contra o aumento da passagem com aproximadamente 150 pessoas na praça Ipiranga, centro histórico de Cuiabá.
Dorilene Cristiane da Chaga, auxiliar de serviços gerais relatou que com esse aumento o orçamento ficou muito apertado, e a qualidade dos ônibus não é boa. Porém, não concorda com os incêndios aos veículos: “Têm outras formas de mostrar que o aumento é injusto. Uma delas é fazer um abaixo assinado”.
Além da população - em sua maioria - não concordar com o valor pago pela passagem, o grande problema é a precariedade, pois os veículos que circulam pela capital não estão atendendo os usuários com qualidade.

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2015

Inocência perdida

Crianças e adolescentes presentes no funk apresentam conteúdos sexuais em letras e danças

EDUARDO MAFRA

Não existe ritmo mais controverso atualmente no país do que o funk. Conhecido por suas letras escancaradas e por seu ritmo contagiante, o ritmo saiu dos morros do Rio de Janeiro e tomou conta do país há algumas décadas. Muitos torcem o nariz. Outros adoram e consideram a representação da verdadeira favela. No entanto, é claramente perceptível a presença de menores de idade dentro de tal universo musical considerado ofensivo, sexual e violento.

Após muitas polêmicas nos anos 2000, pelas leis que visavam a segurança das crianças em trabalhos artísticos, o assunto veio à tona, e o debate é o quão prejudicial são a sexualidade e a violência para o menor de idade presente no showbiz.

Famosas por suas danças, o Bonde das Maravilhas ganhou destaque entre os internautas, depois de seus vídeos coreografando funks do momento serem divulgados na internet. Dançando músicas com letras explicitas, as garotas lançaram o famoso passo 'quadradinho de oito', que consiste em um requebrado diferenciado feito de pernas para o ar. Além das letras e coreografias exageradas, a idade das meninas também chamava a atenção. As meninas tinham de 13 a 20 anos. Para apimentar ainda mais o debate, após o grupo entrar na mira no Ministério Público, o grupo sofreu alterações após duas das integrantes mais jovens engravidarem. 

Bonde das Maravilhas: integrantes menores de 18 anos fazendo danças com conotações sexuais
[Foto: www.google.com]

Outra sensação controversa do funk é MC Pedrinho. O garoto de apenas 12 anos é a grande aposta do funk paulista. Suas letras são explicitas e citam o sexo frequentemente. Com roupas e comportamento que exaltam o sexo e o uso de drogas, MC Pedrinho realiza seus shows pelo país e conquista muitos fãs, chegando a ganhar R$ 5 mil por apresentação. O tom pesado de suas letras [suas músicas são de composição própria] deixa a mãe, a doméstica Analee Maia, preocupada, fazendo com que o garoto pense em seguir para a vertente do funk chamada ostentação, na qual se exaltam bens materiais e dinheiro.

MC Pedrinho: com apenas 12 anos, garoto fatura alto com apresentação, cantando letras de conotação sexual
[Foto: www.google.com.br]

Mesmo sendo uma geração que cresceu descendo na boquinha da garrafa, com Carla Perez usando minúsculos shorts e valorizando a sensualidade, muitos jovens são contra a utilização de menores de idade para a interpretação de tais músicas. Segundo a estudante Joice Moraes, os menores dentro do funk é nocivo para a criação dos mesmos. “Acho um absurdo. Não só nas músicas com duplo sentido, mas na presença dos menores nos bailes. Essas crianças perdem uma época preciosa da vida”, diz Joice.

No entanto, na visão da estudante Julia Oviedo, tais crianças e adolescentes são expostos a esse comportamento, pois é a realidade em que eles convivem. Julia também pontua que esses jovens não têm tanto contato com alguns ritmos que talvez sejam mais apropriados. “A Bossa Nova, que é um ritmo carioca, acaba não subindo o morro”, diz a estudante.

Para ouvir a música do Bonde das Maravilhas, clique aqui. Ouça também um dos sucessos de MC Pedrinho.

domingo, 8 de fevereiro de 2015

Legado x Mentira

De 56 obras propostas para serem concluídas antes da Copa do Mundo, mais de 30 deixaram de ser entregues

EMILLY CASSIM

É dia 31 de maio de 2009. As pessoas estão ansiosas pelo anúncio das cidades-sede da Copa do Mundo de 2014, afinal, não é todo dia que um evento desse porte pode estar tão próximo de casa. Felicidade, euforia, esperança, são os sentimentos que vieram à tona para todos os cuiabanos que presenciaram a escolha de Cuiabá para receber os jogos. Para muitos, essa não era somente uma oportunidade de poder ver de perto astros do futebol de outros países, mas, acima disso, poder presenciar o progresso chegar, melhorias na infraestrutura, na saúde, no transporte. Surgiriam novas possibilidades de emprego, enfim, a situação era de tamanha prosperidade. De início, foram previstas 56 obras de intervenção urbana.

A cada novo dia, o cuiabano levantava na esperança de, ao sair de casa, se deparar com as novas construções, com as ruas se multiplicando, VLT transitando. Porém, quanto mais se aproximava o dia 12 de junho de 2014, o sentimento passava a se transformar em desespero, já que muitas obras não estavam sendo concluídas na data prevista.

Cuiabanos são elogiados por hospitalidade 
Chegado o dia da Copa, cuiabano e visitante presenciaram uma Cuiabá cheia de buracos, obras sendo realizadas, trânsito complicado, entre outros problemas. Mas o povo daqui fez a sua parte. Segundo pesquisa feita pela Secopa [Secretária Extraordinária da Copa do Mundo], 89% dos entrevistados [pessoas que vieram de outro país ou de outra localidade do Brasil] disseram que o fator mais lembrado seria a hospitalidade.

Obras de ampliação e melhoria do Aeroporto Marechal Rondon, em Várzea Grande.
A área de estacionamento foi entregue, mas o novo terminal, em funcionamento para desembarque, não está concluído.
[Foto: www.g1.globo.com]

Os legados[?] da Copa
Seis meses após o fim do evento, ainda se veem obras inacabadas, embargadas ou tendo que ser refeitas. A famosa Arena Pantanal, que ficou conhecida por ser sustentável, deixou a desejar e chegou a ser interditada para reparos. No local, foram encontrados pontos de alagamento e infiltrações, sem contar problemas com a rede elétrica. 

Em pesquisa realizada pela Secretaria de Aviação Civil [SAC], o aeroporto da cidade foi eleito recentemente como o pior do país, entre as capitais, na opinião dos passageiros. O terminal aéreo, que deveria ter ficado pronto antes da Copa, está com as obras paradas. Fato este que tem gerado muita reclamação dos usuários: em dias de chuva, enfrentam as goteiras e infiltrações nas salas de embarque; já nos dias de calor, o ar condicionado não é suficiente para atender a demanda. 

Esses são apenas alguns exemplos. Existem ainda o centro de treinamento, que não foi concluído e já não tem grande utilidade; as trincheiras inacabadas, que precisam de reparos; ruas que ficaram esburacadas, entre outros problemas.

A fim de registrar a opinião dos cuiabanos, foram ouvidos dois moradores que presenciaram todo esse processo, buscando saber se a Copa teria deixado um legado a ser enaltecido ou mentiras e falhas. Nos três casos, os pontos ruins foram colocados acima dos bons.




Do “pacote” previsto de 56 obras a serem realizadas, mais de 30 não conseguiram ser entregues a tempo. Ainda nesse pacote, de 15 obras de mobilidade urbana, pelo menos 12 apresentam irregularidades graves.

MAIS DETALHES

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2015

Homossexuais na UFMT: tolerância e preconceito

CARLOS MAFRA
JULIA OVIEDO

Os gays existem. Sim, existem e estão cada vez mais ganhando visibilidade. Por mais estranha que pareça essa afirmação, é uma frase pertinente se pensarmos que há alguns anos não era tão comum encontrar homossexuais assumidos e com orgulho, mostrando suas individualidades, sem medo de represálias. No entanto, a humanidade evoluiu, e hoje as diferenças são percebidas, comentadas e mais aceitas. Será?

[Foto: www.google.com.br]

O esperado é que em um ambiente onde as mentes são abertas e o estudo e a bagagem cultural, maiores, essas diferenças sejam respeitadas. Logo, dentro de uma instituição de ensino superior, como a Universidade Federal de Mato Grosso [UFMT], se espera uma aceitação maior de orientações sexuais, culturas, estilos e tudo mais. Porém, com tantas pessoas com diferentes pensamentos e variados cursos, não é tão fácil que exista a convivência sem estranhamentos.

Dentro da UFMT vemos uma separação comportamental grande entre os cursos. De um lado, existem cursos como a Comunicação Social, em que, segundo os próprios estudantes, é um local confortável para os gays. A estudante do 4º semestre de Jornalismo, Joycy Ambrosio, diz que entre os alunos do curso a liberdade é maior.

Até mesmo entre os estudantes heterossexuais da Comunicação Social, a aceitação e o respeito estão presentes. O aluno do 7º semestre de Rádio TV, Ekesio Rosa da Cruz [Keko], diz que não sente que seus colegas homossexuais são tratados de forma diferente dentro do curso.

Facilidades de um lado, dificuldades de outro. Se entre alguns cursos os gays podem se sentir seguros, em outros a situação muda. Quando buscamos cursos com grande porcentagem de homens, fica notável que a tolerância é menor.


Um caso claro é o do aluno Kevin Matarazzo, que cursa Zootecnia. Ele relata que seu estilo diferenciado dificulta suas relações dentro do curso. E o preconceito ainda é grande.


Com esse mix de comportamentos dentro da universidade, encontramos uma prévia do futuro e do presente. Os acadêmicos de hoje são os profissionais de amanhã. E são eles parte da sociedade. A grande questão é: o respeito e a tolerância dependem da orientação sexual de uma pessoa ou essa é uma prerrogativa de todos cidadãos?

A diversidade musical em Cuiabá: do lambadão ao rock

ANDRÉ SOUZA
LETÍCIA DAMACENO
PRISCILA SOARES

Para acompanhar a matéria, ouça: "Vou dançar com essa menina", da Banda Estrela Dalva


Como diria Madonna: “A música faz as pessoas se juntarem”. Mas, é claro, cada grupo com seu estilo preferido. A cena musical em Cuiabá é diversificada, reunindo diferentes gêneros em uma única cidade. Um dos motivos pelos quais isso acontece é a grande quantidade de pessoas de outros Estados que chegam, trazendo consigo os ritmos que influenciam seus costumes. Essa mistura faz da capital um enorme balaio cultural.

Apesar de ser influenciada por outros costumes, a baixada Cuiabana mantém viva sua própria identidade cultural. Dentre as muitas manifestações artísticas presentes em Cuiabá, estão os seus ritmos musicais mais marcantes, que são o lambadão e o rasqueado. É com esses dois estilos que a capital de Mato Grosso apresenta sua cultura para o resto do país e mantém viva a sua identidade.

Apresentação de rasqueado em Cuiabá. Fonte: NavegadorMT

O cuiabano Gabriel Soares, 21, sempre conviveu com os ritmos tradicionais da capital. Apesar disso, não se identifica com eles. O jovem prefere rock, e aponta um preconceito local com os ritmos cuiabanos. "As pessoas não conhecem os ritmos do Centro-Oeste, por exemplo, mas existe preconceito dentro da própria região com os ritmos locais", contou. Outra cuiabana, Sara Espírito Santo, 20, apesar de preferir sertanejo, acredita que em Cuiabá há uma grande diversidade musical.


Há quatro anos em Cuiabá, Julia Oviedo, 26, veio do Rio Grande do Sul, acompanhando a sua família. Mesmo preferindo rock, ela admira os ritmos musicais da capital e considera importante as manifestações culturais da cidade.


No primeiro mês da 'Pátria Educadora', Dilma ainda não conquistou os brasileiros envolvidos com a educação

Ano de 2015 deve ser complicado para os brasileiros

CARLOS HENRIQUE ANDRÉ FAUST

Com um pouco mais de um mês de governo - de seu segundo mandato -, a presidente Dilma Rousseff tem acumulado problemas. No meio dessa tempestade de dificuldades que 2015 trouxe estão os casos de corrupção da Petrobrás, aumentos nos preços da gasolina, provável baixo crescimento e inflação alta.


A Educação, que foi escolhida como prioridade neste segundo mandato, virou, inclusive, lema: "Brasil, pátria educadora". A área, porém, está longe de navegar em águas tranquilas. Uma semana após a posse, a presidente Dilma decretou um corte de gastos de R$ 27 bilhões nos ministérios, e a pasta mais afetada foi justamente a da Educação. No MEC, a contenção deve chegar a R$ 7 bilhões. Anunciado como cortes de despesas de custeio para a manutenção do governo, esse montante compreende, além da verba para segurança patrimonial, dinheiro para a compra de material e manutenção dos equipamentos, problemas apontados como sérios em cursos de graduação em universidades federais.

Para a estudante universitária da Universidade Federal de Mato Grosso [UFMT], Marília Vieira, 21, essa medida vai justamente contra o lema anunciado pela presidente. “ [O corte] afeta diretamente o aluno. Ele significa diminuição no repasse do material didático, que já é insuficiente”, afirma a jovem. Classificada como “redução preventiva” pelo ministro do Planejamento Nelson Barbosa, a diminuição dos gastos faz parte do projeto do novo governo para tentar recolocar a economia nos eixos. Para Marília, porém, “cortes para ajustar a economia em saúde e educação são absurdos”. Ela finaliza dizendo que a principal dificuldade da presidente será “estabelecer o que é, de fato, prioridade”. 

A professora Dra. Maria das Dores Patatas está em posição privilegiada dentro do Instituto de Linguagens [IL] para comentar o primeiro mês da educação deste segundo mandato, uma vez que acumula o cargo administrativo de chefe do Instituto. Antes de começarmos de fato a entrevista, quando explicamos o tema da matéria, ela nos resumiu sua opinião: “Ela fez zero, nada”.

A professora Patatas desconfia do governo Dilma
[Foto: André Faust]
Segunda Patatas, desde o início de seu mandato a Universidade vem sofrendo serias perdas. O IL, que antes contava com dois guardas patrimoniais, hoje depende de um único funcionário, que é responsável também por todos os prédios mais próximos. Como exemplo do problema, ela aponta o arrombamento que a sala do Departamento de Comunicação Social sofreu no final do ano passado.


Quem já sentiu mudanças no primeiro mês do segundo mandato foi o servidor Bruno Márcio Espidola. Ele afirma que o almoxarifado da universidade está “secando”, pela falta de aquisição de materiais, ao ponto de se considerar um racionamento de impressões, o que pode tornar a burocracia da Universidade ainda mais lenta e forçar os professores a arcarem com os custos das atividades.

Quanto à situação dos próprios servidores, Bruno também aponta que a perspectiva atual é de mais greve para o próximo ano, uma vez que o reajuste salarial, atrasado a quase uma década e prometido para março, é mais baixo que a inflação do ano passado.

Este ano promete ser conturbado para todos, inclusive para a presidente. Para os brasileiros, inflação, aumento do desemprego e dos preços devem se fazer presentes. Um dos maiores empecilhos para o transcorrer do novo quadriênio deve ser o congresso, já que Eduardo Cunha [PMDB/RJ] foi eleito presidente da Câmara dos Deputados [com mandato em 2015 e 2016], e promete forte oposição ao governo.

UFMT oferece inscrições gratuitas para o Toefl ITP

JULIA OVIEDO

Um dos testes de proficiência de língua inglesa mais reconhecidos em todo o mundo, o Test of English as a Foreign Language [Toefl ITP], está com inscrições abertas para alunos, professores e técnicos da Universidade Federal de Mato Grosso [UFMT]. Os interessados têm até o dia 19 de junho para se inscreverem na página do Inglês sem Fronteiras [ISF]. 

Para quem já se candidatou a uma das vagas, as provas começaram a ser aplicadas na última semana e podem ser realizadas até o dia 23 de junho.

[Foto: www.google.com]

O teste é composto de questões de múltipla escolha, totalizando quatro alternativas por questão. As principais características avaliadas são relacionadas à compreensão auditiva, à estrutura e expressão escrita e à habilidade de leitura do participante.

O resultado do teste é válido por dois anos e pode ser utilizado para inscrições no My English Online [MEO], nas aulas presenciais do ISF, além de ser uma das exigências para participantes do Programa Ciência sem Fronteiras.

A estudante do 5º semestre de Publicidade e Propaganda, Mirela Melo, enxerga o teste como uma oportunidade única, em especial para os alunos que desejam fazer intercâmbio. “Fiz o Toefl no ano passado e, apesar de ser uma prova difícil porque ela mede o nível do seu domínio no inglês, é uma grande oportunidade para os estudantes. Hoje, um teste desses custa, em média, R$ 500. Aqui, a UFMT oferece de graça para os alunos”, destaca Mirela.

Mais informações podem ser obtidas na coordenação do Programa Inglês sem Fronteiras da UFMT pelo telefone (65) 3615.8936 ou pelo site http://ufmtisf.wix.com/isfufmt.

Não é só a economia do país que passa por percalços

Curso de Ciências Econômicas da UFMT tem boas condições estruturais, mas enfrenta problemas no seu andamento

ANDRÉ FAUST
CARLOS HENRIQUE

Instituído em 1965 e confirmado em decreto no ano de 1971, o curso de Economia – nomeado como Ciências Econômicas - da Universidade Federal de Mato Grosso [UFMT] passou por alterações estruturais no ano de 2012. O novo prédio, que é dedicado também a matérias do curso de Ciências Contábeis, conta com equipamentos novos – como cadeiras, data-show e quadros -, e têm deixado os alunos e professores satisfeitos, contrariando, inclusive, a recorrente reclamação de discentes de outros cursos da universidade. Porém, para os futuros economistas, os problemas são outros.

Rayanne Morais Fonseca é estudante do 6º período. Seu ensino médio, em Pontes e Lacerda, foi acompanhado de um curso técnico em Administração, e uma de suas matérias favoritas foi justamente a de Economia, o que guiou sua escolha.


Ela diz que não se arrepende da opção. Acha que os problemas com equipamentos eletrônicos e, eventualmente, com o comportamento de um ou outro professor são “deficiências do dia-a-dia”. Sua única reclamação constante é em relação à didática de alguns professores: “É muito aquele negócio de só sala de aula”, mas admite que alguns professores saem desse padrão.


Quanto às suas expectativas de quando entrou, Rayanne está satisfeita, mas comentou que alguns colegas reclamam de que esperavam mais, apesar de não conseguirem apontar exatamente o quê. Quando se formar, ela ainda não sabe exatamente em que carreira investir, mas acredita que um mestrado em relações internacionais é o primeiro passo.



Entre os problemas apontados, o professor Max Murtinho - mestre em Economia Regional pela UFMT - relata que alguns alunos de Economia chegam ao último ano do curso sem saber, exatamente, em que área podem aplicar seu conhecimento adquirido. Falando sobre as perspectivas de um profissional formado nessa área, o professor afirma que “nós [economistas] temos dentro da profissão uma falta de identidade”. Ele explica que alguns empregos que deveriam ser ocupados por economistas são exercidos, atualmente, por contadores, administradores e engenheiros “que não têm medo de cálculo”. Max conta que o curso tem um perfil de ser procurado por pessoas que “não sabem o que querem fazer”, e que, por isso, a taxa de evasão acaba sendo alta. O docente afirmou, ainda, que apesar de tudo isso, o principal problema dos estudantes é a base: “Alguns alunos brasileiros são fracos em leitura”.    

Quadro de professores da Economia
[Foto: André Faust]
Para aprofundar o assunto, conversamos com as alunas do mestrado de Economia, Rosana, Dayanne e Meire. As duas últimas, formadas em Economia pela UFMT, reforçam boa parte dos pontos apontados anteriormente, mas vão além no momento de apontar a culpa. Primeiramente, falam que o próprio sistema de ensino no Brasil está errado, que alunos chegam à faculdade sem saber ler e escrever, nem as quatro operações básicas. E concordam que, mais do que o estudante, o professor tem papel importante em incentivar os alunos, dar exemplo até em valores básicos, como pontualidade em sala de aula.

Alunas do mestrado em Economia
[Foto: André Faust]

Na reta final da graduação, TCC ainda assusta acadêmicos

EDUARDO MAFRA
JULIA OVIEDO

Na vida de todo graduando, não existe um momento tão comentado, aterrorizante, esperado e determinante quanto o famoso trabalho de conclusão de curso, também conhecido como TCC. Independente do tempo de graduação, o aluno é amedrontado com a importância do trabalho final.

E não é para menos. Seja em grupo, dupla ou sozinho, a ideia de pesquisar um assunto a fundo durante um ano, para finalmente se colocar em frente a uma banca de professores que prestam atenção em todos os possíveis erros e acertos, desestabiliza a confiança de qualquer estudante.

Imagem da internet

Foco! Segundo a professora do curso de Rádio e TV da Universidade Federal de Mato Grosso [UFMT], Aline Wendpap, esse é o principal ingrediente para a realização do TCC. “O aluno deve ter foco do que ele quer e o que ele quer com isso, ou seja, qual a intenção do seu trabalho. É só ter uma nota para ele passar ou deixar algo de concreto para futuros estudantes e para a sociedade como um todo? ”, questiona a docente, que atualmente orienta cinco alunos dos cursos de Publicidade e Propaganda e Rádio e TV.

Mas muita calma nessa hora... O momento do TCC não precisa ser esse bicho de sete cabeças! O estudante do sexto semestre de Jornalismo, Olímpio Vasconcelos, conseguiu tornar o árduo trabalho de pesquisa algo mais leve. Sua paixão por esportes fez com que o graduando escolhesse o Jornal dos Sports, periódico popular na década de 40, como objeto de sua pesquisa. Veja o depoimento do estudante.


Apesar de conhecer os temores da monografia, a caloura de Jornalismo, Ana Carolina Gouvêa, ainda não se preocupa com tudo isso. “Já fiz outra faculdade, mas não cheguei a concluir. Os amigos que concluíram reclamam muito da pressão. E, apesar de saber da importância do TCC, eu ainda não me preocupo com isso".

As apresentações dos trabalhos finais dos cursos de Comunicação Social acontecem entre os dias 9 e 13 de fevereiro, no Instituto de Linguagens [IL]. 

Curso de jornalismo da UFMT deve passar por reestruturação física e curricular

ANDRÉ SOUZA
EMILLY CASSIM

Em setembro de 2013, o Ministério da Educação [MEC] aprovou as novas diretrizes curriculares para os cursos de Jornalismo de todo o país. Desde então, todas as universidades que oferecem a graduação iniciaram um processo de reformulação e mudanças não só na parte teórica, mas também em âmbito estrutural. Na Universidade Federal de Mato Grosso [UFMT], os responsáveis têm trabalhado para que a reestruturação seja efetivamente aplicada.

As mudanças foram bem recebidas pelos alunos do curso de Comunicação Social. Eles esperam que com a aplicação da nova grade curricular, além de melhorias e avanços, cada habilitação [Jornalismo, Publicidade e Propaganda e Rádio e TV] foque nas formações específicas das suas respetivas profissões.

Com a renovação do curso, uma das maiores expectativas dos estudantes gira em torno da reestruturação física, que deverá atender às novas especificidades dos cursos. Na nova grade, o tronco comum – em que as três habilitações estudam, juntas, disciplinas que abrangem teorias válidas para todas – deixará de existir para dar espaço às práticas específicas de cada curso.

O aluno  de Publicidade e Propaganda, Yuri da Silva Peixoto, aguarda uma atualização de softwares e materiais, enquanto Joyce Ambrósio, acadêmica de Jornalismo, espera mais atividades práticas ao longo do curso. 

video

 Camila Cabral, também estudante de Jornalismo, tem a expectativa de uma renovação no quadro de professores.

video

Para o chefe de Departamento, Javier Eduardo Lopez Diaz, a grande dificuldade para concluir a reforma estrutural do Instituto é vencer a burocracia da máquina pública. "Qualquer reestruturação física passa por problema de verbas públicas", disse. Segundo Diaz, o fato das empresas que participam de licitações públicas não estarem em dia com a prestação de contas atrasa todo o cronograma. "A obra das novas sala de aula era para estar pronta no dia de 31 de outubro do ano passado. Três empresas, das cinco que foram licitadas e tinham sido aprovadas, foram desqualificadas, o que trouxe uma retração na verba disponibilizada", contou.

Conforme explica Diaz, a administração superior vem dando apoio e suporte para as reformas pretendidas. "A reitoria nunca tem negado, dito 'não, não dá'. Realmente, eles estão cumprindo com aquilo que nos prometeram, mas tem coisa que foge da alçada do poder deles". Alguns equipamentos já foram adquiridos, mas só serão instalados após a entrega do novo bloco.  Javier contou que o bloco deve conter um novo auditório, salas de aula. Quanto a equipamentos, novas câmeras devem ser adquiridas. 

Estudantes do curso de Publicidade e Propaganda na aula prática em laboratório
[Foto: André Souza]

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2015

Curso de jornalismo da UFMT mudará matriz curricular

LETÍCIA DAMACENO
PRISCILA SOARES

Os cursos de Jornalismo do país já estão se adaptando às mudanças da matriz curricular. A partir de discussões em âmbito nacional, as universidades decidiram fazer alterações na grade curricular do curso para melhorar a formação dos estudantes. Essa modificação na matriz foi aprovada pelo Conselho Nacional de Educação [CNE], órgão vinculado ao Ministério da Educação [MEC]

Na Universidade Federal de Mato Grosso [UFMT], o professor Paulo da Rocha Dias, relator da nova da grade, e uma comissão de professores trabalham desde o ano passado para concluir o documento final até setembro de 2015, prazo dado pelo MEC.

Segundo o coordenador do curso de Jornalismo da UFMT, José Costa Marques, neste momento as propostas para as mudanças foram enviadas aos docentes da instituição, e a comissão aguarda novas sugestões e propostas dos mesmos. José Marques ainda destaca que as alterações foram pensadas com o objetivo de tornar o curso mais moderno, ágil e flexível.

O coordenador acrescenta que a participação dos alunos do curso é muito importante, e a consulta aos acadêmicos será feita antes de se concluir o novo plano pedagógico.


A aluna Jhenifer Heinrich, que cursa o 5º semestre de Jornalismo na UFMT, diz que a discussão com os alunos é necessária, pois os próximos graduandos sofrerão diretamente as decisões tomadas agora.

video

Outro estudante do curso, Eduardo Mafra concorda com as mudanças na matriz, mas frisa a necessidade de supervisionar o estágio que será obrigatório, para que não haja abuso na carga horária de trabalho, como já presenciou com alguns dos seus colegas.

Eduardo Mafra cursa o 6º semestre de Jornalismo
[Foto: Priscila Soares]
Além do estágio obrigatório, outra importante mudança será no trabalho de conclusão do curso. Também está previsto o acréscimo de matérias que são essenciais para o aluno de Jornalismo, como Língua Estrangeira.